CONSELHO REGIONAL DE QUÍMICA 17º REGIÃO ALAGOAS

LEI Nº 2.800 18 DE JUNHO DE 1956

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Química na Medicina: marcapassos minúsculos e visão artificial

Tecnologia, inovação e biocompatibilidade moldando os dispositivos médicos do futuro

Imagine dispositivos médicos capazes de conduzir eletricidade como os próprios tecidos do corpo humano, flexíveis, biocompatíveis e que, após cumprirem sua função, se degradam naturalmente no organismo sem causar danos. Esse cenário, que parece futurista, já começa a se tornar realidade graças aos avanços da química e da engenharia de materiais.

As bases dessas pesquisas remontam ao final da década de 1970, quando cientistas descobriram que determinados polímeros possuem propriedades condutoras de eletricidade. A partir dessa descoberta, surgiram aplicações em diversas áreas — incluindo a medicina — impulsionando o desenvolvimento dos chamados eletrônicos flexíveis.

Esses dispositivos vão além da simples adaptação às formas dinâmicas dos tecidos biológicos. Eles conseguem atuar de maneira semelhante ao tecido natural, reduzindo significativamente a resposta imunológica do organismo, evitando a formação de tecido cicatricial e diminuindo os riscos de rejeição após a implantação.

Eletrônicos flexíveis e a nova geração de marcapassos

Um exemplo marcante dessa evolução é o desenvolvimento de marcapassos milimétricos e biodegradáveis. Pesquisadores do Centro de Eletrônicos Biointegrados da Northwestern University, nos Estados Unidos, liderados por John A. Rogers, criaram um marcapasso temporário do tamanho aproximado de um grão de arroz.

Esse dispositivo é composto por materiais que se degradam no interior do corpo e se transformam em substâncias solúveis em água, que podem ser eliminadas naturalmente pelos rins após o período de uso. A tecnologia é especialmente indicada para bebês recém-nascidos ou pacientes submetidos a cirurgias cardíacas que necessitam de estimulação elétrica apenas por um tempo limitado.

O estudo, publicado na revista Nature, destaca que essa mesma tecnologia pode ser adaptada para outras aplicações em eletroterapia, como regeneração de ossos e nervos, tratamento de feridas e terapias para controle da dor, ampliando ainda mais o potencial dos eletrônicos biointegráveis.

Visão artificial: química a serviço dos sentidos

Outro campo promissor é o desenvolvimento da chamada visão artificial. Diversos centros de pesquisa ao redor do mundo têm avançado na criação de próteses de retina capazes de restaurar parcialmente a percepção visual.

Em doenças hereditárias da retina, ocorre a perda dos cones e bastonetes — células responsáveis pela captação da luz. No entanto, as células ganglionares e o nervo óptico geralmente permanecem preservados. Isso possibilita que dispositivos artificiais substituam essas células perdidas e enviem sinais elétricos ao cérebro, que interpreta as informações visuais.

Para isso, microchips de aproximadamente 2 × 2 mm ou 3 × 3 mm são implantados no olho humano. Eles estimulam eletricamente as células remanescentes da retina, permitindo que o sinal visual chegue ao cérebro por meio do nervo óptico. Outras abordagens também estão em estudo, como a estimulação direta do nervo óptico ou de regiões específicas do cérebro.

Embora já aprovadas para uso, as próteses de retina ainda são indicadas apenas para pessoas que conservam um mínimo de visão residual. Atualmente, esses dispositivos permitem a percepção de objetos grandes e contrastes, mas ainda não são suficientes para restaurar a visão necessária para atividades cotidianas mais complexas, como leitura ou assistir televisão. Revisões científicas, como a publicada na revista Clinical Neurophysiology, analisaram dezenas de estudos que investigam diferentes estratégias e dispositivos de estimulação visual.

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Referências:
How soft electronics are transforming medical devices.
https://www.chemistryworld.com/features/how-soft-electronics-are-transforming-medical-devices/4022806.article?tm_source=cw_daily_mon&utm_medium=email&utm_campaign=cw_newsletters. Acesso em 27/01/2026.
Millimetre-scale bioresorbable optoelectronic systems for electrotherapy. https://www.nature.com/articles/s41586-025-08726-4. Artificial vision. https://retinauk.org.uk/medical-research/approaches-to-treatment/artificial-vision/. An update on retinal prostheses. https://www.sciencedirect.com/topics/medicine-and-dentistry/retinal-implant.

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