A professora Ana Maria da Costa Ferreira, conselheira do CRQ-SP desde 2005 e docente do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP), foi eleita para integrar a Academia Brasileira de Ciências (ABC). A posse ocorrerá juntamente com outros 18 cientistas de diversas áreas, eleitos em novembro de 2025. Segundo a pesquisadora, fazer parte da ABC representa um grande reconhecimento na trajetória de um cientista brasileiro. Para ela, a eleição simboliza o reconhecimento entre os principais pesquisadores do país, com destaque tanto nacional quanto internacional. A professora ressalta que esse reconhecimento é resultado de um trabalho contínuo, baseado em dedicação, competência e ética. Ela também destaca o papel da ABC como espaço de articulação da comunidade científica, onde pesquisadores podem expressar prioridades, preocupações e contribuir com reflexões sobre as políticas científicas do Brasil. Graduada em Química pelo Universidade de São Paulo (USP) em 1971, Ana Maria realizou doutorado na mesma instituição. Possui pós-doutorado pela Università di Roma Tor Vergata, na Itália, e pela University at Albany, State University of New York, nos Estados Unidos. Iniciou sua carreira docente no Instituto de Química da USP em 1978 e tornou-se professora titular em 2002. Ao longo de sua carreira, publicou cerca de 160 trabalhos científicos. Entre as homenagens recebidas, destaca-se a Comenda da Ordem Nacional do Mérito Científico, concedida em 2007 pelo Presidente da República e pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, além da Medalha Ícaro S. Moreira, concedida pela Sociedade Brasileira de Química em 2009. Como nova integrante da ABC, a professora afirma que pretende continuar contribuindo para o fortalecimento da ciência e da educação no país, defendendo o papel das universidades públicas e a valorização dos cientistas como agentes fundamentais para a melhoria da qualidade de vida da população. A cerimônia de posse e diplomação dos novos membros da Academia Brasileira de Ciências ocorrerá no dia 7 de maio, durante o encerramento da Reunião Magna da ABC, no Museu do Amanhã. Fonte: CRQ-SP.
PL 626 avança e fortalece a identidade profissional na Química
A Comissão de Administração e Serviço Público (CASP) da Câmara dos Deputados aprovou o parecer favorável ao Projeto de Lei nº 626/2020, representando um importante avanço na valorização dos profissionais da Química, especialmente no âmbito do serviço público. A proposta foi aprovada na forma de substitutivo e segue agora para as próximas etapas de tramitação no Congresso Nacional. De autoria do deputado federal Rogério Correia, o projeto tem como objetivo padronizar a nomenclatura dos cargos públicos de acordo com a formação técnica exigida para o exercício das funções. Graças à atuação institucional do Conselho Federal de Química (CFQ) e dos Conselhos Regionais de Química, os profissionais da Química passaram a ser expressamente contemplados no texto legal, garantindo maior reconhecimento, segurança jurídica e valorização da categoria no serviço público. O texto aprovado estabelece critérios mais precisos para a denominação dos cargos, contribuindo para maior transparência nos concursos públicos, melhor definição das atribuições profissionais e segurança jurídica tanto para os servidores quanto para a administração pública. Além disso, a proposta fortalece o princípio da eficiência administrativa, ao assegurar que cargos técnicos sejam ocupados por profissionais devidamente habilitados e legalmente reconhecidos. Graças à atuação institucional do Conselho Federal de Química (CFQ) e dos Conselhos Regionais de Química, os profissionais da Química passaram a ser expressamente contemplados no texto legal, garantindo o reconhecimento da área química nas estruturas administrativas dos entes públicos. Essa inclusão representa um avanço significativo na valorização da categoria, assegurando que as atribuições técnicas relacionadas à Química sejam exercidas por profissionais legalmente habilitados. A aprovação do parecer na CASP reforça a importância do diálogo entre o Legislativo e os conselhos profissionais, evidenciando o papel estratégico da Química no desenvolvimento científico, tecnológico e social do país. O CRQ-17 segue acompanhando atentamente a tramitação do projeto, reafirmando seu compromisso com a defesa, valorização e fortalecimento da profissão química. Fonte: https://cfq.org.br/
Química na Medicina: marcapassos minúsculos e visão artificial
Tecnologia, inovação e biocompatibilidade moldando os dispositivos médicos do futuro Imagine dispositivos médicos capazes de conduzir eletricidade como os próprios tecidos do corpo humano, flexíveis, biocompatíveis e que, após cumprirem sua função, se degradam naturalmente no organismo sem causar danos. Esse cenário, que parece futurista, já começa a se tornar realidade graças aos avanços da química e da engenharia de materiais. As bases dessas pesquisas remontam ao final da década de 1970, quando cientistas descobriram que determinados polímeros possuem propriedades condutoras de eletricidade. A partir dessa descoberta, surgiram aplicações em diversas áreas — incluindo a medicina — impulsionando o desenvolvimento dos chamados eletrônicos flexíveis. Esses dispositivos vão além da simples adaptação às formas dinâmicas dos tecidos biológicos. Eles conseguem atuar de maneira semelhante ao tecido natural, reduzindo significativamente a resposta imunológica do organismo, evitando a formação de tecido cicatricial e diminuindo os riscos de rejeição após a implantação. Eletrônicos flexíveis e a nova geração de marcapassos Um exemplo marcante dessa evolução é o desenvolvimento de marcapassos milimétricos e biodegradáveis. Pesquisadores do Centro de Eletrônicos Biointegrados da Northwestern University, nos Estados Unidos, liderados por John A. Rogers, criaram um marcapasso temporário do tamanho aproximado de um grão de arroz. Esse dispositivo é composto por materiais que se degradam no interior do corpo e se transformam em substâncias solúveis em água, que podem ser eliminadas naturalmente pelos rins após o período de uso. A tecnologia é especialmente indicada para bebês recém-nascidos ou pacientes submetidos a cirurgias cardíacas que necessitam de estimulação elétrica apenas por um tempo limitado. O estudo, publicado na revista Nature, destaca que essa mesma tecnologia pode ser adaptada para outras aplicações em eletroterapia, como regeneração de ossos e nervos, tratamento de feridas e terapias para controle da dor, ampliando ainda mais o potencial dos eletrônicos biointegráveis. Visão artificial: química a serviço dos sentidos Outro campo promissor é o desenvolvimento da chamada visão artificial. Diversos centros de pesquisa ao redor do mundo têm avançado na criação de próteses de retina capazes de restaurar parcialmente a percepção visual. Em doenças hereditárias da retina, ocorre a perda dos cones e bastonetes — células responsáveis pela captação da luz. No entanto, as células ganglionares e o nervo óptico geralmente permanecem preservados. Isso possibilita que dispositivos artificiais substituam essas células perdidas e enviem sinais elétricos ao cérebro, que interpreta as informações visuais. Para isso, microchips de aproximadamente 2 × 2 mm ou 3 × 3 mm são implantados no olho humano. Eles estimulam eletricamente as células remanescentes da retina, permitindo que o sinal visual chegue ao cérebro por meio do nervo óptico. Outras abordagens também estão em estudo, como a estimulação direta do nervo óptico ou de regiões específicas do cérebro. Embora já aprovadas para uso, as próteses de retina ainda são indicadas apenas para pessoas que conservam um mínimo de visão residual. Atualmente, esses dispositivos permitem a percepção de objetos grandes e contrastes, mas ainda não são suficientes para restaurar a visão necessária para atividades cotidianas mais complexas, como leitura ou assistir televisão. Revisões científicas, como a publicada na revista Clinical Neurophysiology, analisaram dezenas de estudos que investigam diferentes estratégias e dispositivos de estimulação visual. Química VIVA Viva a Química em todas as suas formas! A química está no centro de inovações que transformam a medicina, melhoram a qualidade de vida e ampliam as fronteiras do cuidado com a saúde. Acesse nosso portal e confira outros conteúdos da área:👉 https://crqsp.org.br/quimica-viva/ Referências:How soft electronics are transforming medical devices. https://www.chemistryworld.com/features/how-soft-electronics-are-transforming-medical-devices/4022806.article?tm_source=cw_daily_mon&utm_medium=email&utm_campaign=cw_newsletters. Acesso em 27/01/2026. Millimetre-scale bioresorbable optoelectronic systems for electrotherapy. https://www.nature.com/articles/s41586-025-08726-4. Artificial vision. https://retinauk.org.uk/medical-research/approaches-to-treatment/artificial-vision/. An update on retinal prostheses. https://www.sciencedirect.com/topics/medicine-and-dentistry/retinal-implant.
Sistema CFQ/CRQs amplia atuação na COP30 e participa da Blue Zone com debate sobre transição energética
Além do espaço de destaque ocupado por seu estande na Green Zone, o Sistema CFQ/CRQs também teve participação ativa e estratégica na Blue Zone da COP30, realizada em Belém — área restrita às autoridades e palco das principais decisões da conferência. Um dos pontos altos da atuação institucional do Conselho Federal de Química (CFQ) na primeira semana do evento foi a participação de seu presidente, José de Ribamar Oliveira Filho, na mesa redonda “Transição Energética e Transporte Sustentável: o caminho para a mobilidade limpa e sustentável”. O encontro reuniu autoridades e lideranças de setores estratégicos, entre elas o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande; o CEO do Porto do Açu, Eugenio Figueiredo; e o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, consolidando-se como um dos debates centrais sobre o futuro da energia e da mobilidade no país. O diálogo concentrou-se na busca por alternativas viáveis para a descarbonização do transporte coletivo, reconhecido como um dos setores com maior potencial de redução de emissões de gases de efeito estufa, especialmente nos grandes centros urbanos. Em sua intervenção, José de Ribamar Oliveira Filho destacou o papel fundamental da Química no processo de transição energética e apontou o hidrogênio de baixo carbono como uma solução promissora para o avanço do transporte sustentável. O presidente do CFQ lembrou que o hidrogênio é historicamente considerado um “combustível ideal” pelos profissionais da área e que sua produção em larga escala, especialmente por meio da eletrólise da água, vem sendo discutida há décadas como um caminho estratégico. Contudo, ressaltou que questões relacionadas ao armazenamento e ao transporte ainda demandam avanços tecnológicos e investimentos consistentes. “Nessa condição energética, basta querermos para que a gente consiga — nós temos potencial para isso. Mas o problema de armazenar, essas questões, tudo precisa ser construído e desenvolvido”, afirmou. Além da participação na mesa redonda, o Sistema CFQ/CRQs acompanhou de perto diversas agendas relevantes da COP30, envolvendo temas como economia de baixo carbono, materiais sustentáveis, emissões industriais e inovação tecnológica. A presença institucional do CFQ reforçou o papel da Química como ciência estratégica no enfrentamento da crise climática e no suporte a políticas públicas voltadas ao desenvolvimento de soluções energéticas limpas e sustentáveis. Fonte: https://cfq.org.br/
CFQ debate a contribuição da Química para a economia verde e evidencia o potencial brasileiro em hidrogênio e biomassa
Especialistas ressaltaram que o avanço da economia circular e das tecnologias de hidrogênio está diretamente ligado à Química, reafirmando o protagonismo do Brasil no processo de transição energética. Durante a COP30, o Conselho Federal de Química (CFQ), com apoio do Conselho Regional de Química da 16ª Região (CRQ XVI – MT), promoveu o painel “O papel da Química na economia verde: da biomassa ao hidrogênio”, reunindo representantes do setor para discutir a integração entre ciência, inovação e indústria na construção de uma economia de baixo carbono. Sob a mediação de Ana Paula Paim, presidente do Conselho Regional de Química da 1ª Região (CRQ I – PE), o debate destacou que iniciativas relacionadas à biomassa, ao hidrogênio verde, à captura de carbono e à circularidade industrial dependem essencialmente de processos químicos. Para Suzana Aparecida, presidente do CRQ XVI, “a Química é o código-fonte da transição energética”, sendo indispensável para garantir competitividade tecnológica e sustentabilidade em escala. A presidente do Conselho Regional de Química da 15ª Região (CRQ XV – RN), Emily Tossi, ressaltou que, embora o Brasil possua um arcabouço regulatório avançado para um país de dimensões continentais, ainda enfrenta desafios relevantes nas áreas de reciclagem, gestão de resíduos e expansão da economia circular. Segundo ela, esse modelo só se consolida com resíduos adequadamente tratados e cadeias produtivas bem estruturadas. Já Patrícia Pulcini Donaire, diretora da Mindset Circular Solutions, compartilhou experiências em consultoria e apresentou iniciativas de economia verde que articulam governo, setor privado e sociedade civil, destacando a Estratégia Nacional de Resíduos Sólidos, com foco na compostagem, na redução do desperdício e na reciclagem de resíduos orgânicos. O painel também abordou as novas fronteiras tecnológicas ligadas à Química. Davi Lopes, head da CWM Hydrogen e FTXT no Brasil, explicou que a GWM atua globalmente com veículos eletrificados, híbridos e totalmente elétricos. De acordo com ele, os modelos elétricos são mais eficientes em ambientes urbanos, enquanto os híbridos apresentam melhor desempenho em trajetos de longa distância. Davi enfatizou que a transição energética ampliará significativamente as oportunidades para profissionais da Química, especialmente nas cadeias do hidrogênio e nas tecnologias eletroquímicas, área em que a empresa se destaca como uma das maiores fornecedoras mundiais de soluções baseadas em células a combustível. Ao comparar o potencial brasileiro ao dos Emirados Árabes Unidos no campo das energias renováveis, Davi destacou que as regiões Centro-Oeste e Norte apresentam condições excepcionais para a produção de hidrogênio a partir da biomassa, enquanto estados como São Paulo se sobressaem pela disponibilidade de etanol e outras matérias-primas. Ele lembrou ainda que, na China, políticas voltadas à descarbonização e ao controle da poluição têm impulsionado a adoção de veículos movidos a hidrogênio. Atualmente, mais de 30 mil unidades híbridas ou elétricas já circulam no país, reforçando o papel estratégico das tecnologias químicas na promoção da mobilidade sustentável. Fonte: https://cfq.org.br/
Pesquisadores do Brasil ganham acesso à publicação gratuita em grandes editoras científicas.
Pesquisadores vinculados a 452 instituições brasileiras passarão a ter acesso gratuito a periódicos das editoras Elsevier e Springer Nature a partir de 2026. Além de consultar as revistas, consideradas entre as mais relevantes do mundo, eles também poderão submeter artigos científicos para publicação em modelos híbridos ou de acesso aberto, sem custos adicionais. No caso da ACM (Association for the Computing Machinery), esse benefício já entrou em vigor neste mês. A iniciativa faz parte de acordos transformativos firmados pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), órgão ligado ao Ministério da Educação, com as três editoras. Os contratos foram assinados no último dia 4, durante a cerimônia que comemorou os 25 anos do Portal de Periódicos da Capes. Os acordos com a Elsevier, a maior editora científica do mundo, e com a Springer Nature, responsável pelos periódicos do grupo Nature, entram em vigor em 1º de janeiro de 2026. O contrato com a ACM já está em execução. Somados, os três acordos totalizam US$ 215 milhões (cerca de R$ 1 bilhão) para um período de três anos. Atualmente, pesquisadores brasileiros que desejam publicar artigos em revistas de acesso aberto da Elsevier ou da Springer Nature precisam pagar os chamados APCs (Article Processing Charges), que variam de algumas centenas de dólares até quase US$ 13 mil (aproximadamente R$ 70 mil), no caso de periódicos do portfólio Nature. Segundo as editoras, esses valores cobrem custos de editoração e formatação dos artigos, já que a revisão científica é realizada por pesquisadores convidados, sem remuneração. Para a Capes, o investimento será de US$ 153 milhões com a Elsevier, US$ 59,8 milhões com a Springer Nature e US$ 2,4 milhões com a ACM, considerando as cotações das datas de referência informadas. No caso da Springer Nature, o acordo contempla periódicos de modelo híbrido, que exigem assinatura para leitura ou estão em transição para o acesso aberto. A editora estima que o contrato permitirá a publicação gratuita de mais de 6.000 artigos por ano. Já a Elsevier disponibilizará cerca de 8.000 artigos em acesso aberto para pesquisadores brasileiros, abrangendo aproximadamente 160 revistas. O acordo com a ACM garante acesso e publicação em acesso aberto a todo o seu portfólio de periódicos. Em nota à Folha, a Springer Nature afirmou que busca promover acesso igualitário ao conteúdo e à publicação, destacando que o acordo permite apoiar melhor os pesquisadores brasileiros. A Elsevier, por sua vez, declarou ter o prazer de apoiar a publicação de pesquisas em acesso aberto no Brasil e informou que mais de 1.800 revistas estão incluídas no contrato, válido de 2026 a 2028. Os benefícios se estendem às instituições de ensino e pesquisa integrantes do Portal de Periódicos da Capes, que atualmente arca com os custos de assinatura para acesso às revistas científicas. Com os novos acordos, a expectativa é incentivar a publicação nessas revistas e reduzir a duplicidade de gastos, tanto com taxas de publicação quanto com assinaturas. De acordo com a Capes, os acordos transformativos têm ampliado o número de publicações e aumentado a participação da comunidade científica brasileira na produção científica internacional. Para Abel Packer, diretor do portal SciELO, esse modelo surge em resposta à crescente exigência de agências de fomento para que pesquisas sejam publicadas em acesso aberto. Ele destaca que, ao firmar acordos com periódicos já assinados, o país garante a publicação sem custos adicionais mesmo quando essas revistas migram para o modelo aberto, o que representa uma vantagem estratégica para o Brasil. Segundo Packer, na Europa, entre 80% e 85% dos artigos científicos já são publicados em acesso aberto. No Brasil, dados da plataforma Scopus indicam que, neste ano, cerca de 50% das publicações ocorreram em acesso aberto ou híbrido. Ele também ressalta que o Brasil foi pioneiro no acesso aberto por meio do SciELO e defende que essa política seja ampliada para periódicos nacionais de qualidade, destacando que os custos são significativamente menores. A Capes informou ainda que a ampliação de acordos com outras editoras dependerá de critérios técnicos, orçamentários e estratégicos. Fonte Folha de S. Paulo
Brasil volta à IUPAC por meio do CFQ e reforça liderança latino-americana na Química mundial
A IUPAC (União Internacional de Química Pura e Aplicada) anunciou oficialmente o retorno do Brasil ao quadro de Organização Nacional Aderente (NAO), agora representado pelo Conselho Federal de Química (CFQ). A decisão foi aprovada pelo Conselho Executivo da entidade em 1º de outubro e marca a reconquista do espaço brasileiro na definição de padrões, políticas, educação e cooperação global na área da Química. O CFQ é uma autarquia federal que, junto dos 21 Conselhos Regionais de Química (CRQs), forma o Sistema CFQ/CRQs. Esse sistema representa mais de 218 mil profissionais e cerca de 50 mil empresas da área em todo o país, garantindo o exercício ético, técnico e científico da profissão. Para a IUPAC, o retorno brasileiro reforça a relevância histórica do país em pesquisa, inovação e desenvolvimento industrial. A nova filiação deve ampliar oportunidades para cientistas, professores e profissionais, abrir portas para cooperação internacional e impulsionar o crescimento da Química brasileira na academia e na indústria. O professor Aldo José Gorgatti Zarbin, Membro Titular da Academia Brasileira de Ciências e vice-presidente da SBPC, celebrou a novidade: “É excelente ver o Brasil novamente como membro da IUPAC. O CFQ assume um papel essencial, pois o país tem uma comunidade química forte e inovadora. Essa reconexão fortalece tanto a IUPAC quanto a ciência latino-americana.” A decisão se soma ao histórico de participação ativa do Brasil em iniciativas da IUPAC, como o Global Women’s Breakfast, que só em 2024 contou com mais de dez eventos no país. O Brasil também sediou, pela primeira vez na América do Sul, a Assembleia Geral e o Congresso Mundial da IUPAC em 2017, em São Paulo — marco que destacou o potencial e a qualidade científica nacional. Próximos passos A retomada da filiação acontece em um cenário de expansão da presença latino-americana dentro da IUPAC, agora também com Peru e Guatemala. O CFQ pretende fortalecer esse movimento com ações voltadas à química verde, educação, inovação sustentável e integração internacional, alinhadas às prioridades globais da organização. O ex-presidente da IUPAC, Javier García Martínez, reforçou: “Espero que o retorno do Brasil, junto à entrada de Peru e Guatemala, marque uma atuação latino-americana mais forte e unida.” Em 2026, o Brasil sediará a Atlantic Basin Conference on Chemistry, no Rio de Janeiro, com o tema “Química para Impacto Global: Parcerias Estratégicas para a Inovação Sustentável”. O encontro reunirá pesquisadores, formuladores de políticas e representantes da indústria para discutir soluções químicas para desafios globais. O presidente do CFQ, José de Ribamar Oliveira Filho, afirmou que essa conquista é fruto de esforços iniciados ainda em 2024, após o 36º Congresso Latino-Americano de Química, no Panamá, quando ficou evidente a importância de recolocar o Brasil como membro da IUPAC. Segundo ele: “Essa retomada é um marco para os profissionais e pesquisadores brasileiros. Reposiciona a Química nacional no cenário mundial e fortalece a indústria, a pesquisa e o ensino, garantindo o protagonismo do Brasil dentro da IUPAC.” Sobre o CFQ O Conselho Federal de Química é responsável por regulamentar e fiscalizar o exercício da profissão no Brasil. Junto aos 21 CRQs, compõe o Sistema CFQ/CRQs, que reúne mais de 218 mil profissionais e cerca de 50 mil empresas. Além da atuação reguladora, o CFQ aproxima ciência, educação, indústria e políticas públicas, incentivando inovação e práticas sustentáveis na Química. Sobre a IUPAC Criada em 1919, a IUPAC é reconhecida como a principal autoridade global em nomenclatura, padronização, pesos atômicos e terminologias químicas. A entidade promove a integração internacional da ciência e incentiva avanços por meio de projetos, conferências e ações de educação e divulgação científica.
Conselheira do CRQ-SP é reconhecida pela USP com o Prêmio Rheinboldt-Hauptmann 2025
A professora Ana Maria da Costa Ferreira, do Instituto de Química da USP, pesquisadora do Cepid Redoxoma e conselheira do CRQ SP, foi a grande vencedora do Prêmio Rheinboldt Hauptmann 2025. O prêmio, entregue todos os anos pelo IQ USP, reconhece pesquisadores que se destacam pela excelência científica e acadêmica nas áreas de química e bioquímica. Durante a cerimônia, o vice diretor do IQ, professor ShakerChuck Farah, lembrou que o prêmio existe desde 1987 e já homenageou 35 pesquisadores, sendo 16 deles do próprio Instituto de Química. O professor Henrique Eisi Toma apresentou a vencedora, destacando mais de cinco décadas de convivência e colaboração científica. Ana Maria reforçou a importância do trabalho coletivo na ciência: “Um pesquisador sempre se apoia no que outros já fizeram, e o que fazemos hoje serve de base para quem vem depois. Juntos vamos mais longe”, afirmou. Ao longo da formação, ela passou por diferentes áreas da química. Iniciou o doutorado com o professor Pawel Krumholz, na química de coordenação, e depois continuou com o professor José Manuel Riveros, aprofundando-se em espectroscopia e cinética química. Também recebeu incentivo do professor Giuseppe Cilento para estudar espécies reativas de oxigênio, aproximando-se da bioquímica, combinação que orientou toda a sua trajetória científica. Formação e atuação acadêmicaAna Maria formou-se em química pelo IQ USP em 1971, concluiu o doutorado em físico química em 1976 e fez pós-doutorado na Universidade Tor Vergata, em Roma, e na State University of New York em Albany, com foco em EPR. Desde 2002, é professora titular do Instituto de Química. Seu interesse pela interface entre química de coordenação e bioquímica a levou ao estudo de espécies reativas e compostos metálicos com relevância biológica. Nos últimos anos, tem se dedicado ao desenvolvimento de metalofármacos, compostos metálicos com potencial terapêutico, especialmente com ação antitumoral e antiparasitária, área promissora no combate a doenças negligenciadas e ao câncer. Sua produção científica inclui várias patentes, entre elas novos complexos metálicos e um reator redox criado por seu grupo. Um dos pontos de destaque de sua pesquisa é justamente esse reator redox, já instalado e funcionando em uma empresa petroquímica de rerrefino de óleos lubrificantes para o tratamento de efluentes industriais. Além da pesquisa, Ana Maria atua ativamente em entidades científicas. É conselheira do CRQ SP, membro da Sociedade Brasileira de Química (SBQ) e da IUPAC. Também já recebeu reconhecimentos importantes, como a Comenda da Ordem Nacional do Mérito Científico (2007), a Medalha Ícaro S. Moreira da SBQ (2009) e a Medalha Simão Mathias (2022). Ela também se dedica à formação de novos profissionais e à divulgação científica, sendo coautora de obras como Nomenclatura básica de química inorgânica e Química de Coordenação Uma Abordagem Experimental. O Prêmio Rheinboldt Hauptmann homenageia os professores Heinrich Rheinboldt e Heinrich Hauptmann, químicos alemães que fundaram o antigo Departamento de Química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, núcleo que deu origem ao atual Instituto de Química. fonte: https://crqsp.org.br
CFQ e Consórcio Brasil Verde destacam Federalismo Ambiental e Cooperação Institucional pela Amazônia em debate na COP 30
O fortalecimento do diálogo entre entes federativos, instituições e sociedade civil em defesa da preservação da Amazônia foi o eixo central do painel “Federalismo Ambiental e Cooperação Institucional para a Proteção da Amazônia”, promovido pelo Sistema CFQ/CRQs, em parceria com o Consórcio Brasil Verde, durante a COP 30, em Belém (PA). Mediado pelo advogado e professor de Direito Ambiental e Urbanístico, Dr. Talden Farias, o debate reuniu o prefeito de Vila Velha (ES), Arnaldo Borgo Filho; o professor da Universidade Federal, Luiz Fernando Schettino; o procurador do Estado do Pará, Ibraim Rocha; e o representante do Centro Brasil no Clima (CBC), Willian Wills. O encontro ressaltou a importância de uma governança cooperativa e integrada entre os diferentes níveis de governo, a academia e o setor produtivo para enfrentar os desafios das mudanças climáticas e promover o desenvolvimento sustentável na Amazônia. Durante sua fala, Arnaldo Borgo Filho destacou o papel essencial dos municípios na implementação de políticas de adaptação climática. Ele apresentou iniciativas adotadas em Vila Velha (ES), como a construção de sete novas estações de bombeamento de águas pluviais, a modernização de três comportas e o desassoreamento de mais de 50 quilômetros de galerias — ações que reduziram significativamente os impactos de alagamentos na cidade. “Os países precisam agir, os estados precisam agir, mas é nas cidades que, de fato, colocamos em prática as ações necessárias para mitigar os efeitos climáticos”, afirmou. O professor Luiz Fernando Schettino discutiu os desafios globais e regionais da preservação da Amazônia e reforçou a relevância do federalismo ambiental como instrumento para adequar políticas públicas às realidades locais. Segundo ele, planejamento, cooperação e fortalecimento institucional são fundamentais para promover a sustentabilidade. Ele citou o exemplo do Espírito Santo, que, por meio do Programa Reflorestar, já recuperou mais de 12 mil hectares de florestas e lançará um edital de R$ 100 milhões voltado à restauração florestal, com foco em biodiversidade, inclusão social, ciência, geração de renda e desenvolvimento sustentável. Schettino também enfatizou o papel dos instrumentos econômicos e de financiamento climático como pilares da transição para uma economia verde. Entre eles, destacou o pagamento por serviços ambientais, créditos de carbono, compras públicas sustentáveis e fundos climáticos — como o Fundo Clima, que vem sendo reforçado com recursos do Tesouro Nacional. “O ano passado marcou um avanço importante com a aprovação da Lei do Mercado de Carbono Regulamentado pelo Congresso Nacional, criando um instrumento capaz de incentivar e induzir a indústria e os setores regulados à descarbonização”, explicou. O palestrante ainda defendeu o fortalecimento da governança de dados e da capacitação de estados e municípios, garantindo que possam acessar recursos, monitorar resultados e implementar políticas eficazes. O procurador do Estado do Pará, Ibraim Rocha, ressaltou a importância do federalismo cooperativo na gestão ambiental e destacou a atuação do Fórum de Procuradores da Amazônia Legal, que reúne representantes dos nove estados da região. Segundo ele, o fórum tem buscado soluções conjuntas para desafios comuns, como a implementação do mercado de carbono, o pagamento por serviços ambientais, a gestão de multas ambientais e a proteção de áreas sensíveis. “A cooperação entre as procuradorias é um caminho estratégico para enfrentar os desafios ambientais de forma articulada e eficaz”, reforçou. Encerrando o painel, Willian Wills, do Centro Brasil no Clima, defendeu a consolidação de um sistema operacional de governança climática e de execução conjunta. Ele destacou que o Brasil vive um novo ciclo de reconstrução da governança climática, marcado pela elaboração dos planos climáticos setoriais, que definirão o papel de cada setor no cumprimento das metas da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) brasileira. “O desafio não é quem faz o quê, mas como fazemos juntos. A cooperação precisa ser institucionalizada e gerar respostas rápidas e inteligentes”, afirmou. O painel reforçou que a proteção da Amazônia e a ação climática efetiva dependem da integração entre governos, setor produtivo, academia e sociedade civil. Conexão Química COP30 Ao final de cada dia de debates, alguns palestrantes participarão do videocast Conexão Química COP30, promovido pelo CFQ. O programa tem como objetivo apresentar os bastidores e os principais destaques da participação do Sistema CFQ/CRQs e de seus parceiros na COP da Amazônia. Fonte: https://cfq.org.br/
