Entre os dias 20 de dezembro de 2025 e 04 de janeiro de 2026, estaremos em recesso de fim de ano. Retornaremos às atividades no dia 05 de janeiro de 2026 (segunda-feira). Boas Festas e Feliz 2026! 🎉✨ CRQ – 17ª Região AlagoasLei nº 2.800, de 18 de junho de 1956
Pesquisadores do Brasil ganham acesso à publicação gratuita em grandes editoras científicas.
Pesquisadores vinculados a 452 instituições brasileiras passarão a ter acesso gratuito a periódicos das editoras Elsevier e Springer Nature a partir de 2026. Além de consultar as revistas, consideradas entre as mais relevantes do mundo, eles também poderão submeter artigos científicos para publicação em modelos híbridos ou de acesso aberto, sem custos adicionais. No caso da ACM (Association for the Computing Machinery), esse benefício já entrou em vigor neste mês. A iniciativa faz parte de acordos transformativos firmados pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), órgão ligado ao Ministério da Educação, com as três editoras. Os contratos foram assinados no último dia 4, durante a cerimônia que comemorou os 25 anos do Portal de Periódicos da Capes. Os acordos com a Elsevier, a maior editora científica do mundo, e com a Springer Nature, responsável pelos periódicos do grupo Nature, entram em vigor em 1º de janeiro de 2026. O contrato com a ACM já está em execução. Somados, os três acordos totalizam US$ 215 milhões (cerca de R$ 1 bilhão) para um período de três anos. Atualmente, pesquisadores brasileiros que desejam publicar artigos em revistas de acesso aberto da Elsevier ou da Springer Nature precisam pagar os chamados APCs (Article Processing Charges), que variam de algumas centenas de dólares até quase US$ 13 mil (aproximadamente R$ 70 mil), no caso de periódicos do portfólio Nature. Segundo as editoras, esses valores cobrem custos de editoração e formatação dos artigos, já que a revisão científica é realizada por pesquisadores convidados, sem remuneração. Para a Capes, o investimento será de US$ 153 milhões com a Elsevier, US$ 59,8 milhões com a Springer Nature e US$ 2,4 milhões com a ACM, considerando as cotações das datas de referência informadas. No caso da Springer Nature, o acordo contempla periódicos de modelo híbrido, que exigem assinatura para leitura ou estão em transição para o acesso aberto. A editora estima que o contrato permitirá a publicação gratuita de mais de 6.000 artigos por ano. Já a Elsevier disponibilizará cerca de 8.000 artigos em acesso aberto para pesquisadores brasileiros, abrangendo aproximadamente 160 revistas. O acordo com a ACM garante acesso e publicação em acesso aberto a todo o seu portfólio de periódicos. Em nota à Folha, a Springer Nature afirmou que busca promover acesso igualitário ao conteúdo e à publicação, destacando que o acordo permite apoiar melhor os pesquisadores brasileiros. A Elsevier, por sua vez, declarou ter o prazer de apoiar a publicação de pesquisas em acesso aberto no Brasil e informou que mais de 1.800 revistas estão incluídas no contrato, válido de 2026 a 2028. Os benefícios se estendem às instituições de ensino e pesquisa integrantes do Portal de Periódicos da Capes, que atualmente arca com os custos de assinatura para acesso às revistas científicas. Com os novos acordos, a expectativa é incentivar a publicação nessas revistas e reduzir a duplicidade de gastos, tanto com taxas de publicação quanto com assinaturas. De acordo com a Capes, os acordos transformativos têm ampliado o número de publicações e aumentado a participação da comunidade científica brasileira na produção científica internacional. Para Abel Packer, diretor do portal SciELO, esse modelo surge em resposta à crescente exigência de agências de fomento para que pesquisas sejam publicadas em acesso aberto. Ele destaca que, ao firmar acordos com periódicos já assinados, o país garante a publicação sem custos adicionais mesmo quando essas revistas migram para o modelo aberto, o que representa uma vantagem estratégica para o Brasil. Segundo Packer, na Europa, entre 80% e 85% dos artigos científicos já são publicados em acesso aberto. No Brasil, dados da plataforma Scopus indicam que, neste ano, cerca de 50% das publicações ocorreram em acesso aberto ou híbrido. Ele também ressalta que o Brasil foi pioneiro no acesso aberto por meio do SciELO e defende que essa política seja ampliada para periódicos nacionais de qualidade, destacando que os custos são significativamente menores. A Capes informou ainda que a ampliação de acordos com outras editoras dependerá de critérios técnicos, orçamentários e estratégicos. Fonte Folha de S. Paulo
Brasil volta à IUPAC por meio do CFQ e reforça liderança latino-americana na Química mundial
A IUPAC (União Internacional de Química Pura e Aplicada) anunciou oficialmente o retorno do Brasil ao quadro de Organização Nacional Aderente (NAO), agora representado pelo Conselho Federal de Química (CFQ). A decisão foi aprovada pelo Conselho Executivo da entidade em 1º de outubro e marca a reconquista do espaço brasileiro na definição de padrões, políticas, educação e cooperação global na área da Química. O CFQ é uma autarquia federal que, junto dos 21 Conselhos Regionais de Química (CRQs), forma o Sistema CFQ/CRQs. Esse sistema representa mais de 218 mil profissionais e cerca de 50 mil empresas da área em todo o país, garantindo o exercício ético, técnico e científico da profissão. Para a IUPAC, o retorno brasileiro reforça a relevância histórica do país em pesquisa, inovação e desenvolvimento industrial. A nova filiação deve ampliar oportunidades para cientistas, professores e profissionais, abrir portas para cooperação internacional e impulsionar o crescimento da Química brasileira na academia e na indústria. O professor Aldo José Gorgatti Zarbin, Membro Titular da Academia Brasileira de Ciências e vice-presidente da SBPC, celebrou a novidade: “É excelente ver o Brasil novamente como membro da IUPAC. O CFQ assume um papel essencial, pois o país tem uma comunidade química forte e inovadora. Essa reconexão fortalece tanto a IUPAC quanto a ciência latino-americana.” A decisão se soma ao histórico de participação ativa do Brasil em iniciativas da IUPAC, como o Global Women’s Breakfast, que só em 2024 contou com mais de dez eventos no país. O Brasil também sediou, pela primeira vez na América do Sul, a Assembleia Geral e o Congresso Mundial da IUPAC em 2017, em São Paulo — marco que destacou o potencial e a qualidade científica nacional. Próximos passos A retomada da filiação acontece em um cenário de expansão da presença latino-americana dentro da IUPAC, agora também com Peru e Guatemala. O CFQ pretende fortalecer esse movimento com ações voltadas à química verde, educação, inovação sustentável e integração internacional, alinhadas às prioridades globais da organização. O ex-presidente da IUPAC, Javier García Martínez, reforçou: “Espero que o retorno do Brasil, junto à entrada de Peru e Guatemala, marque uma atuação latino-americana mais forte e unida.” Em 2026, o Brasil sediará a Atlantic Basin Conference on Chemistry, no Rio de Janeiro, com o tema “Química para Impacto Global: Parcerias Estratégicas para a Inovação Sustentável”. O encontro reunirá pesquisadores, formuladores de políticas e representantes da indústria para discutir soluções químicas para desafios globais. O presidente do CFQ, José de Ribamar Oliveira Filho, afirmou que essa conquista é fruto de esforços iniciados ainda em 2024, após o 36º Congresso Latino-Americano de Química, no Panamá, quando ficou evidente a importância de recolocar o Brasil como membro da IUPAC. Segundo ele: “Essa retomada é um marco para os profissionais e pesquisadores brasileiros. Reposiciona a Química nacional no cenário mundial e fortalece a indústria, a pesquisa e o ensino, garantindo o protagonismo do Brasil dentro da IUPAC.” Sobre o CFQ O Conselho Federal de Química é responsável por regulamentar e fiscalizar o exercício da profissão no Brasil. Junto aos 21 CRQs, compõe o Sistema CFQ/CRQs, que reúne mais de 218 mil profissionais e cerca de 50 mil empresas. Além da atuação reguladora, o CFQ aproxima ciência, educação, indústria e políticas públicas, incentivando inovação e práticas sustentáveis na Química. Sobre a IUPAC Criada em 1919, a IUPAC é reconhecida como a principal autoridade global em nomenclatura, padronização, pesos atômicos e terminologias químicas. A entidade promove a integração internacional da ciência e incentiva avanços por meio de projetos, conferências e ações de educação e divulgação científica.
Conselheira do CRQ-SP é reconhecida pela USP com o Prêmio Rheinboldt-Hauptmann 2025
A professora Ana Maria da Costa Ferreira, do Instituto de Química da USP, pesquisadora do Cepid Redoxoma e conselheira do CRQ SP, foi a grande vencedora do Prêmio Rheinboldt Hauptmann 2025. O prêmio, entregue todos os anos pelo IQ USP, reconhece pesquisadores que se destacam pela excelência científica e acadêmica nas áreas de química e bioquímica. Durante a cerimônia, o vice diretor do IQ, professor ShakerChuck Farah, lembrou que o prêmio existe desde 1987 e já homenageou 35 pesquisadores, sendo 16 deles do próprio Instituto de Química. O professor Henrique Eisi Toma apresentou a vencedora, destacando mais de cinco décadas de convivência e colaboração científica. Ana Maria reforçou a importância do trabalho coletivo na ciência: “Um pesquisador sempre se apoia no que outros já fizeram, e o que fazemos hoje serve de base para quem vem depois. Juntos vamos mais longe”, afirmou. Ao longo da formação, ela passou por diferentes áreas da química. Iniciou o doutorado com o professor Pawel Krumholz, na química de coordenação, e depois continuou com o professor José Manuel Riveros, aprofundando-se em espectroscopia e cinética química. Também recebeu incentivo do professor Giuseppe Cilento para estudar espécies reativas de oxigênio, aproximando-se da bioquímica, combinação que orientou toda a sua trajetória científica. Formação e atuação acadêmicaAna Maria formou-se em química pelo IQ USP em 1971, concluiu o doutorado em físico química em 1976 e fez pós-doutorado na Universidade Tor Vergata, em Roma, e na State University of New York em Albany, com foco em EPR. Desde 2002, é professora titular do Instituto de Química. Seu interesse pela interface entre química de coordenação e bioquímica a levou ao estudo de espécies reativas e compostos metálicos com relevância biológica. Nos últimos anos, tem se dedicado ao desenvolvimento de metalofármacos, compostos metálicos com potencial terapêutico, especialmente com ação antitumoral e antiparasitária, área promissora no combate a doenças negligenciadas e ao câncer. Sua produção científica inclui várias patentes, entre elas novos complexos metálicos e um reator redox criado por seu grupo. Um dos pontos de destaque de sua pesquisa é justamente esse reator redox, já instalado e funcionando em uma empresa petroquímica de rerrefino de óleos lubrificantes para o tratamento de efluentes industriais. Além da pesquisa, Ana Maria atua ativamente em entidades científicas. É conselheira do CRQ SP, membro da Sociedade Brasileira de Química (SBQ) e da IUPAC. Também já recebeu reconhecimentos importantes, como a Comenda da Ordem Nacional do Mérito Científico (2007), a Medalha Ícaro S. Moreira da SBQ (2009) e a Medalha Simão Mathias (2022). Ela também se dedica à formação de novos profissionais e à divulgação científica, sendo coautora de obras como Nomenclatura básica de química inorgânica e Química de Coordenação Uma Abordagem Experimental. O Prêmio Rheinboldt Hauptmann homenageia os professores Heinrich Rheinboldt e Heinrich Hauptmann, químicos alemães que fundaram o antigo Departamento de Química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, núcleo que deu origem ao atual Instituto de Química. fonte: https://crqsp.org.br
CFQ e Consórcio Brasil Verde destacam Federalismo Ambiental e Cooperação Institucional pela Amazônia em debate na COP 30
O fortalecimento do diálogo entre entes federativos, instituições e sociedade civil em defesa da preservação da Amazônia foi o eixo central do painel “Federalismo Ambiental e Cooperação Institucional para a Proteção da Amazônia”, promovido pelo Sistema CFQ/CRQs, em parceria com o Consórcio Brasil Verde, durante a COP 30, em Belém (PA). Mediado pelo advogado e professor de Direito Ambiental e Urbanístico, Dr. Talden Farias, o debate reuniu o prefeito de Vila Velha (ES), Arnaldo Borgo Filho; o professor da Universidade Federal, Luiz Fernando Schettino; o procurador do Estado do Pará, Ibraim Rocha; e o representante do Centro Brasil no Clima (CBC), Willian Wills. O encontro ressaltou a importância de uma governança cooperativa e integrada entre os diferentes níveis de governo, a academia e o setor produtivo para enfrentar os desafios das mudanças climáticas e promover o desenvolvimento sustentável na Amazônia. Durante sua fala, Arnaldo Borgo Filho destacou o papel essencial dos municípios na implementação de políticas de adaptação climática. Ele apresentou iniciativas adotadas em Vila Velha (ES), como a construção de sete novas estações de bombeamento de águas pluviais, a modernização de três comportas e o desassoreamento de mais de 50 quilômetros de galerias — ações que reduziram significativamente os impactos de alagamentos na cidade. “Os países precisam agir, os estados precisam agir, mas é nas cidades que, de fato, colocamos em prática as ações necessárias para mitigar os efeitos climáticos”, afirmou. O professor Luiz Fernando Schettino discutiu os desafios globais e regionais da preservação da Amazônia e reforçou a relevância do federalismo ambiental como instrumento para adequar políticas públicas às realidades locais. Segundo ele, planejamento, cooperação e fortalecimento institucional são fundamentais para promover a sustentabilidade. Ele citou o exemplo do Espírito Santo, que, por meio do Programa Reflorestar, já recuperou mais de 12 mil hectares de florestas e lançará um edital de R$ 100 milhões voltado à restauração florestal, com foco em biodiversidade, inclusão social, ciência, geração de renda e desenvolvimento sustentável. Schettino também enfatizou o papel dos instrumentos econômicos e de financiamento climático como pilares da transição para uma economia verde. Entre eles, destacou o pagamento por serviços ambientais, créditos de carbono, compras públicas sustentáveis e fundos climáticos — como o Fundo Clima, que vem sendo reforçado com recursos do Tesouro Nacional. “O ano passado marcou um avanço importante com a aprovação da Lei do Mercado de Carbono Regulamentado pelo Congresso Nacional, criando um instrumento capaz de incentivar e induzir a indústria e os setores regulados à descarbonização”, explicou. O palestrante ainda defendeu o fortalecimento da governança de dados e da capacitação de estados e municípios, garantindo que possam acessar recursos, monitorar resultados e implementar políticas eficazes. O procurador do Estado do Pará, Ibraim Rocha, ressaltou a importância do federalismo cooperativo na gestão ambiental e destacou a atuação do Fórum de Procuradores da Amazônia Legal, que reúne representantes dos nove estados da região. Segundo ele, o fórum tem buscado soluções conjuntas para desafios comuns, como a implementação do mercado de carbono, o pagamento por serviços ambientais, a gestão de multas ambientais e a proteção de áreas sensíveis. “A cooperação entre as procuradorias é um caminho estratégico para enfrentar os desafios ambientais de forma articulada e eficaz”, reforçou. Encerrando o painel, Willian Wills, do Centro Brasil no Clima, defendeu a consolidação de um sistema operacional de governança climática e de execução conjunta. Ele destacou que o Brasil vive um novo ciclo de reconstrução da governança climática, marcado pela elaboração dos planos climáticos setoriais, que definirão o papel de cada setor no cumprimento das metas da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) brasileira. “O desafio não é quem faz o quê, mas como fazemos juntos. A cooperação precisa ser institucionalizada e gerar respostas rápidas e inteligentes”, afirmou. O painel reforçou que a proteção da Amazônia e a ação climática efetiva dependem da integração entre governos, setor produtivo, academia e sociedade civil. Conexão Química COP30 Ao final de cada dia de debates, alguns palestrantes participarão do videocast Conexão Química COP30, promovido pelo CFQ. O programa tem como objetivo apresentar os bastidores e os principais destaques da participação do Sistema CFQ/CRQs e de seus parceiros na COP da Amazônia. Fonte: https://cfq.org.br/
